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Por onde começar?

Cantar se aprende cantando. Para isso, é fundamental lembrar-se da única e importantíssima regra: NÃO HÁ REGRAS!!!

Mas, como toda regra tem exceção, a exceção é: NUNCA FORÇAR NADA!!

Juntando uma coisa com a outra: VALE TUDO, DESDE QUE NÃO SE FORCE NADA!!!

Devemos prezar nosso instrumento, as pregas vocais (chamadas de cordas vocais), por sua sensibilidade e delicadeza. São músculos e vão funcionar bem se deles cuidarmos corretamente. Se falharmos, poderão também falhar conosco. Temos que saber exatamente do que é que eles precisam. E, se não há como saber sozinho, pede-se a ajuda de um profissional da área.

Faremos vocalise(*), se necessário. Gargarejo, idem.

Certo dia, uma aluna que faria uma apresentação me perguntou: “A que horas devo tomar o sorvete?…” “Que sorvete?!”, perguntei. “Aquele que o Pavarotti toma…” Ela havia lido que Pavarotti toma sorvete. “Resta saber se é para cantar. Tente saber isso com certeza e talvez possa ajudar.” Há estudiosos que afirmam que as cordas vocais, quando pouco irrigadas pelo sangue, produzem melhor sonoridade. Faz sentido, portanto, tomar algo frio antes de cantar, porque, durante ou depois, acho que só poderia prejudicar. Mas não diga ao “negão” da Escola de Samba que gelado faz mal, pois é capaz de ele ficar rouco a partir de então com as cervejas que alterna com seu cantar!!!

Fisiologicamente, quando se tem pouca irrigação, o metabolismo local também diminui, de forma a ficar a região mais propensa a inflamações. Além disso, o maior problema do gelado ou do quente é o “choque térmico”, isto é, se a pessoa estiver com o corpo quente e tomar algo gelado, ou vice-versa, pode ser “ruim”. Portanto, o mais importante é não agredir o corpo ingerindo coisas completamente fora da temperatura em que ele se encontra. Como cada um sabe onde lhe dói o calo, deve-se sempre ficar atento ao próprio organismo e ir descobrindo o que é bom e o que é ruim para si mesmo.
(*) Exercício de canto, em que se utilizam as vogais para percorrer as notas da escala, subindo e descendo com a voz, saltando de uma nota a outra.
Deixo claro que cantar, para mim, já é exercício, e que fazer exercício de canto já é cantar!

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Quem pode cantar?

Em 1972, comecei a trabalhar com canto. Tinha, na época, a preocupação de dizer, a todos os que me procuravam, que é possível cantar, independentemente de conhecimento musical anterior, ou o que quer que seja. Buscava mostrar, com cuidado, aos alunos que apresentavam maior dificuldade, que certamente avançariam, desde que tivessem esforço e paciência. A persistência os conduziria aonde quisessem. Era fundamental apenas que entendessem que “todo o mundo pode cantar”.

O tempo passou, aumentando a preocupação e o cuidado. Fui percebendo, aos poucos, e com intensidade, que o povo sempre tem razão. Se inventou o famoso ditado “Quem canta seus males espanta!”, é porque “todo o mundo DEVE cantar!”

Alguns têm mais facilidade do que outros, por terem logo de início um ambiente facilitador, que lhes dá um empurrão, como um meio musical ou uma família de músicos; cito sempre a Sandy e seu mano, cujos avós já cantavam. Outros, pelo fato de terem a voz um pouco diferenciada, “rouca”, mais grave, mais sei-lá-o-quê, acabam sendo colocados de escanteio, como ovelhas negras do grupo em que cantam. Mas, com trabalhos de percepção musical e persistência, todos podem chegar a cantar. E muito bem!

Ricardo de Oliveira, que, felizmente, apareceu para nos redimir, deixa claro que “temos que ser afinados conosco mesmos, com o ser humano, a natureza, o cosmos” (v. “Música, Saúde e Magia”, ed. Record/Nova Era, 1996). Ele contrapõe o que chama de música orgânica à música mecânica… Não temos que nos afinar por um piano ou um violão!

Gilda Vandenbrande, que há mais de vinte anos faz teatro e música para espetáculos teatrais, assegura: “Quem fala canta!” (este é o nome de sua Oficina de Voz e Canto).