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Que exercícios fazer?

Cada ser é uma unidade e age de acordo com suas necessidades. Por isso, busco passar para aos alunos a revolução que se deu comigo mesmo, já que estudei em conservatório musical tradicional e só depois fui-me abrindo para a música.

Lembro minha grande mestra de piano, Marina da Gama Cerqueira, dizendo com todas as letras: “estude escalas se na música que for tocar houver escalas…” Aplicando-se ao canto, significa fazer com a voz determinado ritmo ou melodia, caso apareçam na canção. Se não, para quê?!

Igualmente, cada aquecimento que o aluno aprender deverá ser acrescentado a seu repertório se o beneficiar. O professor é e sempre será um grande indicador de caminhos, nunca um censor. E o que servir será utilizado.

Tenho um amigo que acha importantíssimo um gole de água “gelada” antes de entrar no palco e outro que dá uma tragada num cigarro. Do mesmo modo que há gente que chupa gelo, há gente que reza, gente que dá três batidinhas na madeira e gente que alisa prego costurado na barra do vestido. Cada um tem suas crendices, seu modus operandi, sua “tecnologia”. Cada um deve descobrir a sua. E no momento que dela se utilizar, a voz estará sendo preparada para o canto.

IMPORTANTE: Não se deve fazer determinado exercício apenas porque “alguém” o faz. O ideal é sentir o quanto ele pode fazer bem, para onde ele orienta e como conduz a um resultado satisfatório.

O “vocalise” (ler POR ONDE COMEÇAR?), ou qualquer outro trabalho vocal a se fazer, sempre deverá estar de acordo com a real necessidade da pessoa naquele momento e com sua capacidade. Buscar o facilitador** ou o professor de canto pode ser benéfico: eles deverão auxiliar no que for necessário.

(**) Nome empregado por Ricardo Oliveira, para designar o orientador, nas Oficinas Básicas de Música Orgânica (OBMO).

Certo ou Errado?

A estética não divide o mundo em certo e errado. Quem o faz é a ética!

Você já fez crochê? Tente, até aprender. E, depois, faça, sem medo de errar. Cada ponto que “erra” é um ponto diferente que acaba de inventar. Mesmo que você não goste do que fez…

Lembra-se da regra número I? Lá vai: Não há regras! (Leia POR ONDE COMEÇAR?)

Todo o conhecimento artístico europeu ganha outras dimensões quando visto daqui do hemisfério sul. Certamente, as maiores contribuições musicais que recebemos não vêm só do hemisfério norte, nem só da Europa. Essa visão é “conservatorial”. O pentagrama tradicional (aquele das cinco linhas e quatro espaços) não serve para registrar grande parte da música que se faz pelo planeta afora. Praticamente, nada da música oriental cabe na escrita européia, ainda que os japoneses o consigam, muitas vezes (depois de Hiroshima e Nagazaki, o que é que eles não conseguem?!).

Mesmo assim, há quem jure, por esse Brasilzão a dentro, que só é músico quem sabe ler “aquelas bolinhas”. Viaje um pouco, dê uma ouvida no que se faz pelos interiores, pequeninas cidades com um “turbilhão” de músicos de primeira. Tocando muito, do jeito que aprenderam por lá. Evidentemente que não lêem partitura. Quer aprender a ler partitura? Tudo bem. Mas lembrando sempre que “nota musical não é música, partitura não é música; você é!”. Ricardo Oliveira coloca muito bem isso em seu livro (leia QUEM PODE CANTAR).

Quando se começa a tomar contato com culturas diferentes da européia, a tradicional, a primeira impressão é que estamos viajando para fora do planeta. Claro! Afinal, sempre nos ensinaram que o que sabemos é tudo o que existe… verdade única e absoluta. E o conhecimento do índio, por exemplo, em que escaninho colocar sua cultura?

Quando alguém resolve cantar, deve tomar contato com o mundo sonoro que o cerca e buscar sua identificação com a música que melhor lhe bate no peito. Não adianta querer forçar nenhuma barra. Ou buscar a música “que está na moda” ou “que dá dinheiro”. Aí já não estaremos mais falando de música, certo? Evidentemente que o conhecimento musical que se tem em volta vai ajudar a caminhar. Mas não se deve deixar que ele seja mais importante do que o DESEJO DE FAZER MÚSICA, que, isso sim, é o que importa!